Perda auditiva pode causar demência, revela estudo brasileiro


Trabalho revelou que pessoas com problemas auditivos tiveram um declínio cognitivo global mais rápido que o esperado para a idade

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Imagem: LightField Studios/Shutterstock

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A adoção de cuidados para com a saúde auditiva é uma forma de retardar o declínio cognitivo e prevenir o surgimento da demência. É isso o que revelou um estudo realizado com 805 brasileiros na faixa dos 50 anos de idade.

Segundo os pesquisadores envolvidos no trabalho, a descoberta pode ajudar a reduzir o número de casos de Alzheimer no futuro, por exemplo.

As conclusões foram descritas no Journal of Alzheimer’s Disease.

Problemas de audição são um fator de risco para demência

  • A perda auditiva geralmente tem início na meia-idade e é um fator de risco reconhecido para demências.
  • Isso ocorre em função da audição ser uma importante via de entrada de informação para o cérebro.
  • Quando este processo é interrompido, áreas importantes deixam de ser estimuladas, podendo acelerar o declínio cognitivo.
  • Além disso, os problemas de audição podem levar ao isolamento social.
  • Fatores ligados ao trabalho são um dos principais responsáveis pela perda auditiva, em função da exposição a ambientes com muito barulho.
  • Por outro lado, o uso de fones de ouvido com volume muito alto também prejudica a audição.
  • As informações são da Agência FAPESP.
Uso excessivo de fones de ouvido é um fator de risco (Imagem: KiyechkaSo/Shutterstock)

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Estudo confirmou relação entre os problemas

Durante o estudo, os participantes realizaram testes de audiometria, uma medida objetiva da qualidade da audição, três vezes ao longo dos oito anos de investigação. No mesmo período foram realizados testes de memória, linguagem e função executiva, que aferiram a associação entre perda auditiva e declínio cognitivo acentuado.

Dos 805 participantes, 62 (7,7%) apresentaram perda auditiva. Eles tiveram um declínio cognitivo global mais rápido que o esperado para a idade. Além disso, os testes específicos do domínio cognitivo mostraram declínios semelhantes, mas menos precisos, na memória, fluência verbal e função executiva.

Imagem ilustrativa do sentido de audição
A perda auditiva é o um fator de risco modificável para as demências. Imagem: Pixsooz / Shutterstock

A perda auditiva é o que chamamos de fator de risco modificável para as demências, entre elas Alzheimer, exatamente por ser passível de identificação e correção. Em 2050, a previsão é que mais de 70% das pessoas com demências vivam em países de baixa e média renda, como o Brasil. Por isso, é importante ter estudos que identifiquem a nossa realidade e os fatores passíveis de prevenção. Além do peso individual, há também uma carga coletiva. Não tem como o Brasil e outros países de baixa e média renda envelhecerem com demência.

Claudia Suemoto, professora da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo e autora do estudo


Alessandro Di Lorenzo

Colaboração para o Olhar Digital

Alessandro Di Lorenzo é colaboração para o olhar digital no Olhar Digital

Bruno Capozzi

Bruno Capozzi é jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero e mestre em Ciências Sociais pela PUC-SP, tendo como foco a pesquisa de redes sociais e tecnologia.




Fonte: Olhar Digital

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