Vazamento de água causou deslizamento em Manaus



Menino olha espaço onde, antes, era a parte de um barranco (Luiz André Nascimento/Cenarium)

20 de março de 2025

Letícia Misna – Da Cenarium

MANAUS (AM) – Moradores da comunidade Fazendinha 2, na Zona Norte de Manaus (AM), afirmaram à CENARIUM que o despejo de água, por meio de uma tubulação a céu aberto, contribuiu para o deslizamento de terra que destruiu casas, deixou famílias desabrigadas e uma pessoa morta nessa quarta-feira, 19, na capital. No local, a água vaza 24 horas por dia.

A declaração foi de Maria do Amparo, moradora da Rua da Benção, a poucos metros da base do barranco que deslizou, cujo topo está situado na Rua da Paz. Segundo ela, ali não costumava haver inundações, mas o cenário mudou quando um córrego foi instalado no topo do barranco pela Prefeitura de Manaus.

Barranco na Rua da Paz, em Manaus (Luiz André Nascimento/Cenarium)

Da instalação escorre água ininterruptamente, fato constatado pela equipe da CENARIUM no endereço. Alzimar Ramos, esposa de Maria do Amparo, chegou a colocar tábuas de madeira como barreira entre a rua e a residência do casal, o que não resolveu o problema: água sempre transborda e invade o imóvel. O desejo é se mudar da área de risco, o que ainda não foi possível.

“Querer se mudar a gente quer, mas a gente não tem pra onde ir. Porque ninguém quer comprar um lugar onde já é problemático”, comentou Maria do Amparo. “Vamos ficar por aqui por enquanto”, disse o repositor de supermercado Alzimar.

Desabamento

Ainda segundo os moradores da área, várias denúncias já foram feitas ao poder público, tanto sobre o risco de desabamento do barranco, quanto sobre as constantes alagações que ocorrem no local em dias de precipitação, mas os pedidos não foram atendidos. “Todo tempo é esse sofrimento. A gente vive sofrendo aqui nesse bairro”, acrescentou Alzimar

À esquerda, a Rua da Benção; à direita, a Rua da Paz (Luiz André Nascimento/Cenarium)

Por volta das 16h30 dessa quarta, Alzimar percebeu que a terra estava cedendo e começou a filmar da janela de sua casa. “Tá descendo aquele barranco lá! Tá um perigo! Tá em risco aqui embaixo!”, disse na gravação. Assim que desligou a câmera do celular, o barranco foi a baixo.

Tragédia

Sammya Costa Maciel, de 48 anos, foi vítima do deslizamento. Ela era liderança comunitária na região e, segundo testemunhas, ajudava moradores a saírem do local no momento da tragédia. Pessoas presentes afirmaram que, quando ouviu o primeiro barulho de deslizamento de terra, Sammya correu para avisar as famílias que seriam mais afetadas.

Ela saiu gritando ‘ei, vamos sair daí que tá caindo!’ e foi ajudar, junto com outros moradores, as pessoas que ficaram presas nesse primeiro barro”, disse Adeane Ramos, uma vizinha que presenciou o desastre.

Foi quando a segunda queda de terra soterrou quem estava ali. “Os outros conseguiram sair, mas ela estava em uma área muito difícil, onde pegou muito barro nela, e ela não conseguiu sair”, explicou a testemunha, que acrescentou ainda acreditar que a instalação do córrego facilitou o deslizamento.

O que restou no Fazendinha 2 foi lama e destruição (Luiz André Nascimento/Cenarium)

De acordo com o Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas (CBMAM), seis pessoas foram resgatadas e encaminhadas para unidades de saúde. Sammya chegou a ser levada ao Hospital e Pronto-Socorro Platão Araújo, mas não resistiu.

Segundo o CBMAM, nove casas foram atingidas e três ficaram totalmente soterradas. A Defesa Civil do Amazonas isolou a área e, por questões de segurança, retirou moradores das casas mais próximas ao barranco.

A reportagem entrou em contato com a Secretaria Municipal de Infraestrutura (Seminf) para questionar sobre a instalação da tubulação, mas, até a publicação desta matéria, não houve retorno.



Fonte: Agência Cenarium

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