Por Cleber Lourenço
Um dos achados mais relevantes dos documentos da sexta fase da Operação Compliance Zero envolve uma movimentação patrimonial considerada suspeita pela Polícia Federal e que tem como personagem central Joana Machado de Moraes Mourão, irmã de Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como “Sicário”.
Segundo a investigação, uma Mercedes-Benz AMG G63 foi adquirida pela King Participações Imobiliárias, empresa ligada a Luiz Phillipi, em 2 de fevereiro de 2026.
Três dias depois, em 5 de fevereiro, o veículo foi transferido para Joana Machado de Moraes Mourão. De acordo com a PF, apenas cinco dias depois, em 10 de fevereiro, Joana vendeu o veículo para a Avantgarde Motors por R$ 2,5 milhões.
O que chamou a atenção dos investigadores foi o fato de o registro efetivo da transação ter sido formalizado apenas em 5 de março de 2026, um dia após a deflagração da operação que resultou na prisão de Luiz Phillipi.
Na avaliação da Polícia Federal, a sequência de operações apresenta “elementos característicos de ocultação de bens e consequente lavagem de dinheiro”.
Os investigadores passaram a analisar se a transferência do veículo teve como objetivo dificultar a identificação do patrimônio vinculado ao operador apontado como um dos principais integrantes da estrutura investigada.
Joias, relógios e diamantes sem as pedras
A situação de Joana chamou ainda mais atenção durante o cumprimento dos mandados de busca e apreensão.
Segundo os policiais, ela teria demonstrado resistência para apresentar aparelhos celulares, o que levou à apreensão dos equipamentos para perícia.
Durante as buscas, os agentes localizaram caixas vazias de relógios e joias, além de certificados de pedras preciosas sem que as respectivas pedras fossem encontradas no local.
Entre os documentos apreendidos estavam certificados relacionados a diamantes e outros ativos de alto valor.
Para os investigadores, a ausência dos bens correspondentes aos certificados encontrados levantou dúvidas sobre a localização efetiva do patrimônio.
A descoberta passou a ser analisada em conjunto com a movimentação da Mercedes AMG G63 e outras operações patrimoniais identificadas durante a investigação.
Um dos trechos do relatório da PF diz: “Foram localizadas diversas caixas de relógios e jóias contudo encontravam-se vazias. Identificados ainda certificados de registros de pedras preciosas (diamantes) contudo sem encontrar as respectivas pedras”.
PF amplia apuração sobre patrimônio no entorno de Sicário
Os elementos reunidos pela investigação levaram a Polícia Federal a aprofundar a análise patrimonial de pessoas próximas a Luiz Phillipi.
A linha investigativa busca identificar se familiares, empresas e terceiros teriam sido utilizados para ocultação de bens ou movimentação de ativos de origem suspeita.
A Mercedes de R$ 2,5 milhões, as caixas vazias de joias e relógios e os certificados de diamantes sem as respectivas pedras passaram a integrar um mesmo conjunto de elementos analisados pelos investigadores.
A PF trabalha com a hipótese de que parte do patrimônio ligado ao grupo possa ter sido deslocada ou ocultada após o avanço das investigações e antes da execução das medidas judiciais.



