PF rebate Toffoli e afirma que Compliance Zero respeitou prazo possível


Por Cleber Lourenço

A Polícia Federal enviou ao Supremo Tribunal Federal (STF) uma resposta formal em que rejeita a interpretação de que teria retardado o cumprimento de ordens judiciais na segunda fase da Operação Compliance Zero. O esclarecimento foi encaminhado após questionamentos do ministro Dias Toffoli sobre a condução das diligências e a velocidade da execução dos mandados.

No documento, a corporação afirma que a decisão judicial chegou à PF na segunda-feira (12), mas só pôde ser executada na quarta-feira (13) em razão da mobilização integral de equipes e recursos na terça-feira, quando estava em andamento a Operação Overclean. Segundo a avaliação interna, a realização simultânea de duas operações de grande porte inviabilizaria a execução segura e eficiente das medidas autorizadas.

A Polícia Federal sustenta que a escolha do momento para deflagrar a Compliance Zero seguiu critérios estritamente técnicos, baseados em disponibilidade operacional e preservação da eficácia das diligências. A corporação rejeita qualquer leitura de descumprimento deliberado ou resistência à ordem judicial.

Outro ponto sensível tratado na resposta diz respeito ao destino do material apreendido. A PF informou ao STF que não há viabilidade prática nem técnica em transportar todo o acervo de provas para a sede da Corte. De acordo com a corporação, dispositivos eletrônicos como celulares, computadores e mídias digitais exigem análise imediata para evitar perda de dados e permitir o encadeamento de novas medidas investigativas.

Internamente, investigadores avaliam que a centralização física das provas no Supremo poderia atrasar perícias, criar entraves logísticos e comprometer o andamento do inquérito. A PF afirma que a guarda e a análise inicial do material fazem parte da própria dinâmica da investigação criminal.

Os questionamentos feitos por Toffoli ocorreram após a deflagração da segunda fase da Compliance Zero, que tem como foco pessoas ligadas ao presidente do Banco Master, Daniel Vorcaro. Em despachos recentes, o ministro demonstrou preocupação com a efetividade das medidas autorizadas, abrindo espaço para interpretações sobre possível demora injustificada por parte da polícia.

Toffoli descriminalização
Dias Tofolli (Foto: Reprodução)

Críticas causaram estranhamento

As cobranças, porém, causaram surpresa e estranhamento dentro da corporação. Como revelou anteriormente o ICL Notícias, agentes da Polícia Federal avaliaram que as críticas desconsideravam a rotina operacional e a sobreposição de ações complexas conduzidas simultaneamente pela PF.

O ICL Notícias também havia noticiado, ainda no dia da deflagração da operação, que a Polícia Federal já havia respondido aos questionamentos do ministro. À época, fontes indicaram que a manifestação buscava rebater a narrativa de inação e registrar formalmente as razões operacionais que definiram o cronograma das diligências.

A troca de ofícios expõe um desgaste institucional em torno do controle e do ritmo das investigações, especialmente em casos que envolvem o sistema financeiro. Nos bastidores, a avaliação é de que a Polícia Federal procurou demarcar sua autonomia técnica e deixar claro que decisões operacionais não se confundem com descumprimento de determinações judiciais.





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