Policiais do Denarc são presos sob suspeita de receber propina do PCC para interromper investigação


Por Francisco Lima Neto

(Folhapress) – Uma operação do Ministério Público de São Paulo prendeu na manhã desta quarta-feira (10) dois policiais do Denarc (Departamento Estadual de Prevenção e Repressão ao Narcotráfico) e um advogado suspeitos de cobrar propina do PCC (Primeiro Comando da Capital) para suspender investigação contra um membro da facção. Outro policial do departamento também é investigado.

A operação Mata-Nota é uma parceria do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado), com a Corregedoria da Polícia Civil e a Polícia Federal.

Procurada, a Secretaria da Segurança Pública (SSP) informou que apoia a operação e “não tolera desvios de conduta por parte de seus agentes e que todas as medidas administrativas cabíveis serão adotadas, sem prejuízo das apurações criminais e disciplinares”.

O advogado e dois policiais foram presos preventivamente com autorização da 2ª Vara de Crimes Tributários, Organização Criminosa e Lavagem de Bens e Valores da Capital. Segundo a investigação, não houve a necessidade de prender o terceiro policial investigado nesse momento.

O advogado preso é Ademilson Alves de Brito, que tinha uma condenação anterior por extorsão mediante sequestro e associação criminosa, segundo o Gaeco. A reportagem tenta localizar a defesa dele.

A Justiça, a pedido do Gaeco, também expediu mandados de busca e apreensão para cumprimento em endereços residenciais e na sede do Denarc. A Justiça determinou ainda o confisco, sequestro e bloqueio de bens no montante de R$ 1 milhão, que é o valor apontado na investigação como a propina paga pelo advogado para os três policiais.

Segundo a Promotoria, em 2024, um homem que transportava 345 kg de drogas em um fundo falso de caminhão frigorífico foi preso em flagrante. Com a quebra de sigilo dos dados telemáticos, foi possível acessar um vídeo que tinha uma negociação de pagamento para a interrupção de investigação contra um traficante conhecido como Costurado, apontado como integrante do PCC, atuando na parte da logística financeira do grupo. Mesmo com a identificação de um laboratório de refino ligado a Costurado na cidade de Jarinu, no interior de SP, a investigação foi paralisada.

O vídeo, gravado em 23 de maio de 2024, registra uma videochamada entre dois policiais do Denarc e o advogado, além de citação ao terceiro policial. Pouco tempo depois deste contato, os policiais compraram imóveis. De acordo com o Gaeco, os agentes tinham patrimônio incompatível com os valores que recebem do estado.

O advogado, de acordo com a Promotoria, já foi condenado em processo de extorsão mediante sequestro e associação criminosa.





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