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Políticos do PR farão reunião contra obrigatoriedade de vacinas da covid-19 em crianças


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Por Gabriel Gomes

Após intensa disseminação de notícias e informações falsas sobre vacinação, uso de máscaras e distanciamento social durante a pandemia de Covid-19, a extrema direita segue atuando na propagação de desinformações sobre a prevenção da doença. O alvo da vez é a vacinação em crianças pequenas, sobretudo na faixa etária entre 6 meses até 5 anos.

Em Corbélia, na região de Cascavel, no interior do Paraná, o vereador André Lira (PP), líder do governo municipal na Câmara dos Vereadores e apoiador do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), requereu e vai comandar, na próxima quinta-feira (8), uma “reunião pública”, no Centro Cultural da cidade, “contra a obrigatoriedade da vacina de Covid-19 em bebês de 6 meses até crianças de 5 anos”.

Inicialmente, a ideia do vereador e do parlamento da cidade era realizar uma audiência pública, como foi amplamente divulgado. Após questionamentos da reportagem do ICL Notícias, porém, a descrição do evento foi alterada de “audiência pública” para “reunião pública”. O requerimento para a realização de audiência pública sobre o tema foi aprovado por unanimidade pelos 11 vereadores do município.

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Vereador André Lira (PP) é apoiador do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). (Foto: Reprodução/Redes Sociais)

A imagem inicial de divulgação do evento previa transmissão pela TV da Câmara Municipal, o que também foi alterado, em nova publicação do vereador André Lira, após questionamentos do ICL Notícias.

“Não haverá mais audiência pública e sim reunião pública organizada sem vínculo com a Câmara”, disse André após ser questionado.

Além do vereador André Lira, a reunião terá participação do deputado estadual do Paraná Ricardo Arruda (PL). Em fevereiro deste ano, por requerimento de Ricardo, a Assembleia Legislativa do Paraná realizou uma audiência pública intitulada “Não à obrigatoriedade da vacina COVID-19”. Alguns dos presentes estarão, online ou presencialmente, na reunião do dia 8 em Corbélia.

Dentre os apoiadores e participantes da reunião, estão figuras e organizações que se tornaram conhecidas na pandemia pela propagação de desinformações sobre as vacinas e os tratamentos da doença. “Convocação aos papais e mamães de Corbélia”, diz a primeira imagem de divulgação do evento.

Imagem alterada após questionamentos da reportagem do ICL Notícias. (Foto: Reprodução)

Questionado pelo ICL Notícias, André Lira afirmou que o evento não terá uso de dinheiro público e “não será no espaço da Câmara porque precisa de uma estrutura maior, mas se fosse, não é inadequado, pois o espaço público, principalmente quando se trata da casa do povo que é a Câmara, é o ambiente para debater temas de interesse popular. Essa iniciativa partiu de um grupo de pais e mães querendo debater o tema, então não é inadequado atender um pedido da população”.

O Centro Cultural, no entanto, é vinculado à Prefeitura da cidade de Corbélia. Questionada sobre o uso do espaço e a aplicação de recursos públicos para a realização do evento, a Prefeitura não se manisfestou até o fechamento da reportagem. Com aproximadamente 18 mil habitantes, a cidade é governada por Thiago Stefanello (PP).

Sobre a propagação de uma tese, sem comprovação científica, que pode colocar em risco a vida de crianças pequenas, o vereador André Lira disse que não é “contra a vacinação, esse não é o tema, somos contra a obrigatoriedade, esse será o foco do debate. Os pais que nos procuraram querem decidir sobre o que sentem ser ou não seguro para os seus filhos”.

Primeira imagem de divulgação do evento. (Foto: Reprodução)

Reunião tem apoio de organização que propaga desinformações

A reunião é apoiada pelo World Council for Health (Conselho Mundial de Saúde, em tradução livre), uma organização não oficial. Na pandemia, a organização foi utilizada por negacionistas para embasar uma suposta comprovação de que os imunizantes seriam perigosos para o ser humano. Desde então, tem apoiado a realização de eventos que propagam teses com desinformações sobre o tema.

Em seu site, o conselho acumula conteúdos falsos sobre a vacinação. A organização foi criada em 2021 por um grupo de médicos, todos citados nominalmente no site. “Nós protegemos a liberdade de saúde para o mundo”, diz o site.

Site do World Council for Health. (Foto: Reprodução)

O World Council for Health diz que as informações fornecidas no site são apenas para fins educacionais. Eles se isentam da responsabilidade dos textos publicados e indicam que o aconselhamento médico não pode ser substituído. Segundo a OMS, o “World Council for Health” não tem nenhuma relação ou parceria com a organização.⠀

Uma das informação falsas propagadas pela organização é de que as vacinas não são seguras e que a fabricação, distribuição e promoção delas “violam princípios básicos da lei”. O site lista, ainda, diversos eventos adversos que supostamente são causados pelas vacinas.

Médicos negacionistas estão entre os palestrantes

A audiência, que será realizada de forma híbrida, contará com a participação de figuras conhecidas na propagação de desinformação sobre as vacinas. Uma delas é a médica e ex-secretária de Saúde de Porto Seguro, Raíssa Soares, que afirma, desde a pandemia, que o imunizante pode causar câncer e morte súbita e que a vacina não é eficaz para salvar vidas. As informações são falsas. Raíssa é ex-candidata ao Senado na Bahia pelo PL.

Outra participante, Akemi Shiba, psiquiatra de Porto Alegre, ficou conhecida ao organizar a lista de assinaturas de uma carta pública que foi enviada com a assinatura de 130 pessoas para pedir ao STF que derrube a obrigatoriedade das vacinas contra Covid-19. A carta, porém, incluiu o nome de ao menos nove pesquisadores que não foram consultados sobre o assunto. O documento pedia a “não obrigatoriedade de vacinação contra Covid1-9, permitindo que os brasileiros possam fazer a sua escolha”.

Outro médico é o radiologista norte-americano, doutor Chris Flowers, que ficou conhecido por propagar desinformações sobre a vacina da Pfizer. Outra figura internacional é a médica e política Maria Moog, da Áustria, que já participou de outras audiências divulgando falsas consequências da vacinação em crianças.

A psicóloga americana Andrea Nazarenko, que propaga, sem comprovação, a tese de que apenas mudanças na alimentação, sem a aplicação de vacinas, poderia evitar a contaminação de crianças é outro nome na lista de participantes.

‘Não acreditar nas vacinas é negar a própria ciência’, comenta deputada do PT do Paraná

A deputada estadual Luciana Rafagnin se posicionou contra a realização de audiências públicas em Casas Legislativas do Paraná com questionamentos a vacinação obrigatórias de crianças contra a Covid-19. Ao ICL Notícias, a parlamentar afirmou que questionar as vacinas é “negar a própria ciência”.

“A realização de uma audiência pública que questiona a vacinação obrigatória de crianças contra a Covid-19, sem embasamento científico rigoroso, é uma ação que não produz benefícios sociais concretos e pode agravar a crise de confiança em instituições sanitárias — algo que já vimos com consequências dramáticas no passado”, disse ao ICL Notícias a deputada Luciana Rafagnin.

Deputada Luciana Rafagnin. (Foto:Dálie Felberg/Alep)

“Não acreditar nas vacinas é, na prática, negar a própria ciência.  As vacinas são a ferramenta mais eficaz que a humanidade já desenvolveu para combater doenças infecciosas. Até hoje, nenhuma evidência científica robusta foi apresentada que conteste sua segurança ou eficácia. Pelo contrário: dados globais comprovam que elas reduziram drasticamente internações e óbitos, especialmente em grupos vulneráveis”, completou.

A realização da reunião também foi condenada pela deputada estadual Ana Júlia Ribeiro (PT). “Precisamos enfrentar esse retrocesso com firmeza, responsabilidade e compromisso com a verdade. Não há espaço para relativizar a ciência nem para permitir que interesses políticos disfarçados de ‘liberdade individual’ coloquem em risco a saúde de nossas crianças”, disse ao ICL Notícias.

Outro lado

A reportagem do ICL Notícias procurou a Câmara de Vereadores da cidade de Corbélia, o vereador André Lira (PP) e o presidente da Casa, Emanuel Andrigo Huff (PP). O ICL os questionou sobre o possível uso de dinheiro público para a realização da audiência e a realização de um debate sobre um tema sem comprovação científica, o que pode colocar em risco a vida de crianças pequenas.

“Informamos que houve um requerimento para realização de audiência pública, contudo a Câmara ainda não tem data prevista para a realização do evento. Temos notícia que será realizada uma reunião sobre o tema, mas esta não tem qualquer relação com a Câmara Municipal, logo, não será realizada nenhuma despesa para a sua realização”, respondeu a Câmara. As respostas de André Lira estão na reportagem.

O ICL Notícias procurou, ainda, a Prefeitura de Corbélia para questionar sobre o uso do espaço do Centro Cultural da cidade e não obteve resposta. O espaço segue aberto.



Fonte: ICL Notícias

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