Por Laura Kotscho
Após o resultado do primeiro turno das eleições, o coordenador da campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Edinho Silva, afirmou neste domingo (4) que a disputa contra Flávio Bolsonaro (PL) será marcada pelo “confronto de dois projetos” para o Brasil. O senador terminou a primeira etapa à frente do petista, com 47,04% dos votos válidos, contra 45,15% de Lula. Os dois voltam às urnas em 25 de outubro.
“É debater, confrontar projetos, não tem magia. É confrontar projetos e chamar o povo brasileiro à reflexão e conversar com a sociedade brasileira como um todo”, afirmou.
O coordenador disse que a campanha pretende conversar com lideranças de outros partidos que estejam dispostas a apoiar um projeto de país que, segundo ele, não seja submetido às milícias. A estratégia seria discutida com Lula em uma reunião nesta segunda-feira (5).
Para Edinho, a campanha do segundo turno deverá apresentar as diferenças entre os candidatos. Segundo ele, Lula representa um projeto de mudança, desenvolvimento sustentável e diálogo, enquanto Flávio estaria associado à “incerteza”, à “insegurança” e à relação com as milícias.
“Agora não tem segunda nem terceira via. É um confronto de dois projetos distintos. Um projeto representado pelo presidente Lula e outro projeto representado pelo Flávio Bolsonaro”, afirmou.
Edinho associa Flávio a milícias e insegurança
Ao estabelecer o contraste entre os candidatos, Edinho foi especialmente crítico a Flávio Bolsonaro. O coordenador citou a relação do senador com as milícias do Rio de Janeiro e seu histórico de compra de imóveis com recursos que, segundo ele, não foram explicados.
Para Edinho, essa relação também comprometeria o discurso de Flávio sobre segurança pública.
“Alguém que fala em nome das milícias não pode falar em nome de segurança pública”, afirmou.
O coordenador classificou ainda Flávio como representante da “incerteza” e da “insegurança”. Segundo Edinho, o principal elemento da biografia do senador seria justamente sua relação com as milícias do Rio de Janeiro.
“Nós queremos ajudar o povo do Rio de Janeiro a superar a relação com a milícia, não fazer com que a milícia mande no Brasil e governe o Brasil”, declarou.
Edinho também criticou a relação do grupo político de Flávio com o governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Na avaliação dele, alguém que queira oferecer as riquezas naturais brasileiras ao governo norte-americano não poderia, ao mesmo tempo, defender o desenvolvimento tecnológico e industrial do país ou a geração de empregos de qualidade para os jovens.
Lula como contraponto
Na outra ponta do contraste apresentado por Edinho, Lula aparece como representante de um projeto baseado no respeito às pessoas e à natureza, no combate ao desmatamento e no desenvolvimento sustentável.
“O presidente Lula representa a mudança. O povo brasileiro sabe disso porque foi o presidente da República que mais provocou mudanças na história desse país”, afirmou.
Edinho também defendeu que Lula seria a liderança capaz de promover as reformas desejadas por parte do eleitorado. Ele reconheceu que existe uma insatisfação com as estruturas política e judiciária, mas afirmou que o petista teria maior capacidade para conduzir essas transformações.
“O presidente Lula, de fato, é a única autoridade, a única liderança capaz de mudar o Brasil, capaz de fazer reformas que o povo brasileiro precisa”, disse.
Edinho também foi questionado sobre como Lula pretende governar diante de um Congresso mais à direita. O coordenador respondeu que o petista deverá manter a estratégia de diálogo com os parlamentares.
“O presidente Lula é um presidente que dialoga, é um presidente que na sua história tem a capacidade de dialogar. Nós vamos continuar dialogando sempre que o diálogo for necessário”, afirmou.





