PT e Lula se empenham como nunca na construção de palanques estaduais amplos


Apenas 12 das 27 unidades da federação concentram 83% dos 155 milhões de eleitores brasileiros que estarão aptos a votar em outubro próximo. Toda a energia da pré-campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, candidato à reeleição para seu quarto e derradeiro mandato, está concentrada na montagem dos palanques nessa dúzia de estados: São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Bahia, Rio Grande do Sul, Paraná, Pernambuco, Ceará, Pará, Santa Catarina, Maranhão e Goiás.

Na largada, o PT já desistiu de ter a cabeça de chapa – ou seja, o candidato a govenador ou governadora – em seis deles. Em São Paulo, Rio e Minas, os três maiores eleitorados do país, o candidato a governador da aliança governista não será filiado ao PT. Em Pernambuco, 7º colocado do ranking de eleitorados estaduais, no Pará, 10º e em Santa Catarina, 12º, também não haverá petistas disputando os governos estaduais. Na história política do Brasil pós-ditadura, isso não só é um avanço do Partido dos Trabalhadores rumo ao centro democrático como também é prova de certo amadurecimento da ação política ao buscar alianças pragmáticas que permitam oxigenar a cena e dividir o núcleo do poder.

 

OS TRÊS ESTADOS ONDE O PT TERÁ CANDIDATO COM CERTEZA

Dentre os 12 estados que reúnem, somados, 128,7 milhões de eleitores, o PT do presidente Lula só tem certeza de que terá candidato próprio na Bahia, no Ceará e no Maranhão.

Tentando emplacar uma série inédita e histórica de 24 anos à frente do governo local, a dúvida entre os baianos é se o atual governador, Jerônimo Albuquerque, tenta a reeleição possível ou abre mão dela para o retorno do ministro Rui Costa ao Palácio de Ondina. Costa surge, no momento, mais competitivo do que Jerônimo para enfrentar o ex-prefeito de Salvador, ACM Neto.

No Ceará o governador Elmano de Freitas recuperou popularidade nos últimos meses e já desponta como antagonista com chances de derrotar o ex-governador e ex-ministro Ciro Gomes (PSDB). Porém, ainda está em avaliação a possibilidade de Elmano dar lugar ao ministro da Educação, Camilo Santana, ex-governador cearense por oito anos e que teria um caminho mais favorável em embates com Ciro.

No Maranhão, o nome do PT será o vice-governador atual, Felipe Camarão, encarregado da missão de restaurar o legado das elogiadas administrações de Flávio Dino (agora ministro do Supremo Tribunal Federal) no estado. Camarão não terá o apoio do governador, Carlos Brandão, com quem rompeu. Brandão não pode disputar a reeleição e ficará no cargo.

 

OS TRÊS ESTADOS ONDE O PT NEGOCIA A CABEÇA DE CHAPA

Por fim, Rio Grande do Sul, Paraná e Goiás são três incógnitas derradeiras para a construção de candidatos próprios ou palanques mais amplos dentre as 12 unidades da federação que reúnem 83% dos eleitores brasileiros.

O colégio eleitoral gaúcho detém 8,7 milhões de eleitores e é o quinto maior do país. Lá, o presidente Lula teve desempenho acima do esperado em 2022. No momento, ensaia-se uma aliança entre PT, PDT e Psol, além de outras siglas de centro-esquerda. A ex-deputada Manuel D’Ávila, agora no Psol, disputará uma vaga ao Senado junto com o deputado Paulo Pimenta. Juliana Brizola (PDT), neta de Leonel Brizola, e o presidente da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), Edegar Preto, negociam a chapa a governador. Nenhum dos dois quer deixar de figurar na cabeça da chapa. A neta de Brizola tem maior viabilidade eleitoral e pode dar um nó na oposição de extrema-direita que é forte em toda a região Sul.

No Paraná, há uma possibilidade de aliança entre petistas e o ex-governador e ex-senador Roberto Requião. Liderança antiga e respeitada na centro-esquerda paranaense, Requião rompeu com o PT em 2022. Porém, há bombeiros em ação para levá-lo de volta ao convívio social e político com os petistas. Caso a turma demandada para apagar antigos incêndios não seja bem-sucedida, o diretor de Itaipu, Enio Verri, pode se tornar o candidato petista nos palanques paranaenses onde a prioridade total dos governistas estará em eleger Gleisi Hoffmann senadora.

Por fim, em Goiás, estado que tem 5,1 milhões de eleitores e encerra essa seleção das 12 unidades da federação que decidem pleitos presidenciais, a deputada Adriana Accorsi (PT) tem bom desempenho para largar como candidata própria. Contudo, a chance de sucesso é mínima: os goianos formam o colégio mais avesso ao PT em todo o Brasil. Lá, poderão ser possíveis cenários bastante pragmáticos e surpreendentes que envolvem até a possibilidade de se ver o MDB do vice-governador Daniel Vilela e o PSDB do ex-governador e ex-senador Marconi Perillo indicando voto em Lula para derrotar Ronaldo Caiado (PSD).

 

A PARCERIA CERTEIRA E PREGMÁTICA COM O PSD

O PSD é parceiro de negociações para montagem de palanques que peçam votos em Lula em seis dos 12 maiores eleitorados estaduais brasileiros: Minas, Rio, Bahia, Pernambuco, Ceará e Santa Catarina. Em Minas, que tem 16,5 milhões de eleitores e é o segundo maior colégio eleitoral nacional, o PT está decidido a apoiar um nome do PSD ao governo. No Rio, terceiro maior colégio com 13 milhões de eleitores, os petistas irão pedir votos para o prefeito da capital, Eduardo Paes (PSD). Em Pernambuco, o presidente Lula também já avisou ao comando da pré-campanha petista e ao PSB que pretende subir tanto no palanque da governadora Raquel Lyra (PSD) quanto no do eventual palanque do prefeito do Recife, João Campos (PSB). Em seu estado natal, o presidente especula até a possibilidade de palanque triplo, realizando eventos de campanha com Ivan Moraes (Psol). Em Santa Catarina, o PT controlado pelo presidente do Sebrae, Décio Lima, abriu conversas com o PSD do popularíssimo prefeito de Chapecó, João Rodrigues (PSD) e pode apoiá-lo. Em 2022, num dos lances mais surpreendentes daquele pleito polarizado, Lima disputou o segundo turno contra o ultrabolsonarista Jorginho Melo PL), que venceu.

Quando abrem o pano da mesa para montar os cenários do jogo político, os estrategistas do PT selecionados pelo presidente Lula animam-se com o estado da arte das negociações estaduais. Para eles, a costura pragmática nesses 12 estados que detêm 83% do eleitorado nacional definirá o grau de dificuldade para o sucesso nas urnas de outubro de 2026.

 

 





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