Receita desmente ‘fake news’ sobre taxação de transações


Quase um ano depois da desinformação da extrema direita sobre a taxação do Pix, o Ministério da Fazenda, por meio da Receita Federal, desmentiu nesta segunda-feira (29), em Brasília, boatos que circularam nas redes sociais ao longo do fim de semana indicando que transações financeiras acima de R$ 5 mil passariam a ser taxadas em 2026. As publicações, difundidas por perfis ligados à extrema direita, afirmavam ainda a existência de uma alíquota de 27,5% e de multas que chegariam a 150% para quem não recolhesse o suposto tributo.

Em nota oficial, a Receita foi categórica ao afirmar que não existe — nem pode existir — qualquer tipo de tributação sobre movimentações financeiras. Segundo o órgão, a Constituição Federal proíbe expressamente esse tipo de cobrança. “Isso não existe e nunca irá existir nos termos da Constituição atual”, destacou o comunicado.

A Receita também negou a existência de uma suposta alíquota de 27,5% aplicada a transações financeiras e classificou como “completamente falsa” a informação sobre multas de 150% por falta de declaração. “As fake news que estão circulando inventaram, desta vez, uma multa de 150% para quem não pagar o falso tributo”, afirmou o órgão.

Boatos omitem informações relevantes

No texto, a Receita Federal reforça que a disseminação de boatos desse tipo provoca pânico financeiro e atende apenas a interesses criminosos. O comunicado ressalta ainda que as mensagens falsas omitem informações relevantes, como a ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda a partir de janeiro: rendimentos de até R$ 5 mil ficarão totalmente isentos, enquanto salários de até R$ 7.350 terão desconto no imposto devido.

“A Receita Federal esclarece que disseminar mentiras, fake news e pânico financeiro interessa apenas a criminosos. Não caia em fake news”, conclui a nota oficial.

Perfil menciona Nikolas Ferreira

Um perfil na rede X, chamado Dama de Ferro, postou no domingo a seguinte mensagem: “Atenção motoboy, manicures, cabeleireiras, pintores, pedreiros, faxineiras, a partir de 2026, o lulismo vai cobrar 27,5% de impostos para quem movimentar mais que 5 mil reais por mês, pouco importando se é líquido ou não, tal como @nikolas_dm denunciou e o desgoverno e seus lacaios na mídia ‘desmentiram’. Quem acreditou na esparrela do governo de taxação dos ricos, também sustentará a gastança de bilhões para artistas, para ONGs feministas, racistas-africanistas e LGTV, salários do alto funcionalato, obras inúteis, e os 51 milhões que não trabalham e não procuram emprego, mas presumivelmente viram na seita-quadrilha lulista”.

No início deste ano, o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) postou um vídeo que viralizou nas redes espalhando notícias falsas a respeito de uma norma da Receita que propunha que as instituições financeiras reportassem ao governo movimentações acima de R$ 5 mil por mês, no caso de pessoas físicas, e R$ 15 mil para pessoas jurídicas. No vídeo, o deputado bolsonarista acusava o governo de querer implementar o “imposto do Pix”.

Apesar de todas as negativas e esclarecimentos, o governo teve que voltar atrás na publicação da norma diante do repercussão negativa.

A fala de Nikolas distorceu o conteúdo da Instrução Normativa nº 2.219/2024, editada pela Receita Federal, que ampliava o envio de informações agregadas sobre movimentações financeiras.





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