Toneladas de ouro da Venezuela serão transferidas para os EUA


Após uma longa negociação, as reservas de ouro que a Venezuela mantinha no banco central do Reino Unido serão transferidas. Mas o destino não será Caracas. Pelo acordo que está prestes a ser concluído, as barras do metal serão enviadas para o Federal Reserve Bank, em sua sede de Nova York.

O governo venezuelano voltará a ter o “direito legal” sobre as reservas e poderá usar o ouro como garantia para tomar empréstimos para ajudar a reconstruir o país depois do terremoto de junho. Mas a Venezuela não estará autorizada a vende-lo, mover para outros bancos ou países.

A medida faz parte de mais um capítulo da administração da economia e das finanças da Venezuela por parte dos EUA. Desde o sequestro de Nicolás Maduro, é o governo de Donald Trump que dá as cartas, determina o orçamento de áreas estratégias e controla a receita do petróleo. No mês passado, a Casa Branca ainda anunciou um acordo “histórico” no qual terá acesso ao petróleo venezuelano por cem anos.

Agora, as informações sobre o destino do ouro foram reveladas nesta sexta-feira pelo jornal britânico Financial Times. Diplomatas venezuelanos na ONU confirmaram ao ICL Notícias que o acordo está prestes a ser assinado.

O ouro havia sido congelado em 2018 pelos britânicos, como parte da pressão americana contra Nicolas Maduro. São 31 toneladas do metal, depositados no Banco da Inglaterra.

Em meados do ano, membros da oposição da Venezuela e interlocutores do governo de Delcy Rodriguez concordaram em fazer uma petição conjunta para liberar a reserva, alegando que os recursos seriam fundamentais para reconstruir o país depois do terremoto que deixou 6 mil mortos. Uma carta chegou a ser enviada ao rei Charles III.

Um primeiro passo para a liberação dos recursos foi a decisão de Londres de normalização sua relação diplomática com Caracas, no mês passado.

O ouro venezuelano havia sido depositado em Londres em 2008, num gesto que visava proteger os recursos. Dez anos depois, Maduro iniciou os trâmites para reaver as reservas do estado, temendo que o Ocidente pudesse impôr algum tipo de sanção. Mas não houve tempo suficiente. No início de 2019, o Reino Unido não reconheceu Maduro como presidente legítimo, reconheceu Juan Guaidó como líder e, assim, bloqueou o acesso de Caracas às suas próprias reservas.

Processos judiciais foram iniciados. Mas jamais com um resultado positivo para os chavistas.





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