Trabalho manual como proteção da automação


Para muitos jovens de hoje em dia, medicina, engenharia, tecnologia saíram do horizonte e construção, elétrica, soldagem e marcenaria surgem como alternativa mais segura para um futuro automatizado que ninguém sabe exatamente como vai ser.

O jornal New York Times acompanhou jovens americanos, especialmente na Califórnia, que estão repensando a faculdade tradicional por conta das mudanças no mercado de trabalho causadas pelas inteligências artificiais.

Um dos estudantes entrevistados disse que ninguém se importa mais com quanto você sabe, porque “o ChatGPT vai saber mais”. É uma leitura equivocada, porque o que realmente tem valor é saber o que fazer com a informação e isso continua sendo um trabalho humano.

Mesmo assim, o instinto de buscar profissões que um robô não pode executar tem lógica real. Drone não serra madeira, agente de IA não conserta encanamento e no episódio 367 do RESUMIDO comentei um detalhe que muda a leitura desse movimento. Tem gente comprando negócios de marcenaria e serviços manuais de donos mais velhos cujos filhos não quiseram herdar, apostando que essas áreas vão se valorizar muito em breve.

O que ainda freia essa migração é o estigma social. Trabalho manual continua sendo visto como segunda classe em relação ao trabalho intelectual, mesmo quando são exatamente as funções de escritório as primeiras a serem automatizadas. Advogados, analistas, redatores e programadores júnior estão entre os perfis que os modelos de linguagem substituem com mais facilidade, não o eletricistas ou marceneiros.

A geração que cresceu ouvindo que faculdade era um caminho seguro, agora assiste cargos de nível superior desaparecerem em escala. Enquanto isso, escolas técnicas começam a surgir como uma possível opção, até menos arriscada.

É uma leitura fria de risco. Num cenário de automação acelerada, a proteção não vem de acumular informação, vem de fazer coisas que exigem presença física, julgamento situacional e habilidade manual desenvolvida ao longo de anos.

São exatamente o tipo de característica que os modelos de IA atuais não têm e que muitos especialistas acreditam, vai demorar mais para chegar, se chegarem.





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