Veja as canetas emagrecedoras sem aval da Anvisa vendidas no Brasil e seus riscos


(Folhapress) – Uma mulher que usou um emagracedor vendido de forma ilegal no Brasil está internada em estado grave desde dezembro, em Belo Horizonte. O medicamento utilizado por Kellen Oliveira Bretas Antunes, 42, segundo publicação da filha no Instagram, é o Lipoless (tirzepatida) em ampola, do laboratório paraguaio Eticos. O produto não tem autorização da Anvisa para ser comercializado no Brasil.

Atualmente, o único medicamento com o princípio ativo tirzepatida permitido no Brasil é o Mounjaro, da Eli Lilly, que detém a patente. Em comunicado, o laboratório afirma que “produtos do Paraguai que alegadamente contêm tirzepatida não são equivalentes ao Mounjaro e não foram aprovados pela Anvisa como ‘genéricos’”.

“Apesar de a autoridade reguladora do Paraguai ter supostamente autorizado alguns destes produtos, isso não significa que eles cumprem os critérios científicos, clínicos e de qualidade exigidos pela Anvisa”, diz a Eli Lilly.

Resoluções publicadas no ano passado pela Anvisa reforçaram a proibição de fabricação, venda e uso de emagrecedores não autorizados, incluindo o Lipoless. Mais recentemente, na última quarta-feira (21), a agência determinou a apreensão de lotes de tirzepatida das marcas Synedica e TG.

Emagrecedores já proibidos pela Anvisa

A agência já publicou resoluções proibindo fabricação, distribuição, importação, comercialização, propaganda e uso dos seguintes produtos agonistas de GLP-1:

– Lipoless (tirzepatida)
– Lipoless Eticos (tirzepatida)
– Synedica (tirzepatida)
– TG (tirzepatida)
– TG 5 (tirzepatida)
– TG Indufar (tirzepatida)
– Tirzazep Royal Pharmaceuticals (tirzepatida)
– Retratutida, de todos os fabricantes

Emagrecedores com registro na Anvisa

caneta patente Saiba quais são as canetas emagrecedoras sem aval da Anvisa vendidas no Brasil e seus riscos
Saiba quais são as canetas emagrecedoras sem aval da Anvisa vendidas no Brasil e seus riscos

Os medicamentos indicados para o tratamento de diabetes tipo 2 ou obesidade que têm registro na Anvisa e podem ser comercializados legalmente no Brasil são:

– Soliqua (glargina + lixisenatida), da Sanofi Medley, para diabetes tipo 2
– Victoza (liraglutida), da Novo Nordisk, para diabetes tipo 2
– Trulicity (dulaglutida), da Eli Lilly, para diabetes tipo 2
– Saxenda (liraglutida), da Novo Nordisk, para obesidade
– Xultophy (insulina degludeca + liraglutida), da Novo Nordisk, para diabetes tipo 2
– Ozempic (semaglutida), da Novo Nordisk, para diabetes tipo 2
– Rybelsus (semaglutida em comprimidos), doa Novo Nordisk, para diabetes tipo 2
– Wegovy (semaglutida), da Novo Nordisk, para obesidade
– Mounjaro (tirzepatida), da Eli Lilly, para obesidade
– Povitztra (semaglutida), da Novo Nordisk, para obesidade
– Extensior (semaglutida), da Novo Nordisk, para diabetes tipo 2
– Lirux (liraglutida), da EMS, para diabetes tipo 2
– Olire (liraglutida), da EMS, para obesidade

Riscos à saúde

A diretora da SBEM (Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia) Flávia Coimbra afirma que órgãos reguladores como a Anvisa garantem a qualidade, segurança, eficácia e procedência de medicamentos.

“Sem essa a qualificação, aumenta o risco de o paciente estar usando uma superdosagem ou subdosagem. Às vezes está escrito que é um determinado medicamento quando na verdade é outro, e pode ter variabilidade na concentração do princípio ativo”, diz.

Segundo Coimbra, a utilização de medicamentos fora dos padrões regulatórios é fortemente desencorajada e representam um risco grande para a saúde.

“Ninguém pode comercializar o medicamento, senão o próprio fabricante. Portanto, o uso de qualquer outra forma não é legal no Brasil”, afirma o endocrinologista Rodrigo Lamounier, membro da diretoria da Abeso (Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica).

Uma vez que não é possível dizer o que há na formulação de um produto de origem desconhecida, os riscos do uso são imponderáveis, acrescenta o médico.

Após sentir dores abdominais e ter 16 convulsões, Kellen foi levada ao hospital João 23, na capital mineira. Ainda segundo a postagem da família, ela foi transferida para o HC-UFMG (Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Minas Gerais) e recebeu o diagnóstico de síndrome de Guillain-Barré, condição neurológica grave que causa fraqueza muscular progressiva e pode evoluir para paralisia. A filha afirma que a mãe está traquiostomizada e consegue mexer apenas o pescoço e os dedos das mãos e dos pés.





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