Derrite apresenta sexto texto do PL antifacção minutos antes da votação


Por Cleber Lourenço

O deputado Guilherme Derrite apresentou, no início da noite desta terça-feira (18), o sexto texto do PL antifacção, aprofundando o clima de improviso que marca a tramitação da proposta.

A nova redação chegou aos parlamentares minutos antes da reunião decisiva, repetindo a dinâmica das últimas semanas: versões sucessivas, falta de discussão técnica e pressão para votar um texto que muda a legislação penal brasileira sem debate adequado.

Pela manhã, Derrite recusou-se a participar de uma reunião solicitada pela ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, e pelo ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, que buscavam discutir ajustes considerados essenciais para corrigir problemas previamente apontados pelo governo.

A recusa aumentou o desgaste com o Palácio do Planalto, que avalia que o relator perdeu o controle político e técnico da proposta.

Discussão na Câmara dos Deputados. Dep. Guilherme Derrite (PP-SP) – Foto: Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados

Segundo membros da articulação política do Palácio do Planalto, o presidente Lula decidiu intervir pessoalmente para tentar barrar a nova versão. Por meio do líder do governo na Câmara, José Guimarães, Lula procurou líderes partidários alertando que o sexto texto mantém brechas que, segundo avaliação do Ministério da Justiça, podem favorecer o crime organizado.

Esses pontos já haviam sido identificados pelo governo na quinta versão e não foram corrigidos.

A comparação das duas versões confirma a avaliação do governo. Embora o sexto texto traga ajustes de redação e reorganização de trechos, os problemas estruturais permanecem praticamente os mesmos. As principais diferenças reais — e as falhas ignoradas por Derrite — são:

Como ficou o novo texto:

  • Inclusão da redação integral do chamado “Marco Legal do Combate ao Crime Organizado”, ausente na quinta versão, mas sem corrigir inconsistências já apontadas pelo Ministério da Justiça;
  • Ampliação de tipificações penais (como domínio territorial, sabotagem de serviços e ataques contra instituições), porém mantendo definições vagas consideradas arriscadas pelo governo;
  • Repetição das justificativas sobre redução de pena, inclusive o exemplo de que integrantes de facção poderiam cumprir apenas 1 ano e 8 meses — trecho que já havia sido criticado e permanece inalterado;
  • Manutenção de dispositivos que fragilizam a atuação da Polícia Federal, especialmente no seu financiamento e obtenção de recursos;
  • Ausência de ajustes na integração com leis já existentes, como a Lei de Organizações Criminosas e a Lei de Crimes Hediondos, que seguem com impactos negativos já identificados pela área técnica;
  • Preservação de dispositivos que permitem benefícios penais a faccionados, contrariando recomendações do Ministério da Justiça;
  • Inclusão de alterações em diversas leis (Código Penal, Lei de Drogas, Estatuto do Desarmamento, LEP) sem revisar pontos considerados tecnicamente inadequados pela equipe jurídica do governo.

A tramitação atropelada também segue sendo fonte de irritação entre líderes partidários. Em apenas uma semana, Derrite apresentou seis versões do relatório, o que alimenta críticas sobre falta de coordenação e ausência de debate qualificado.

O presidente da Câmara, Hugo Motta, insistiu em votar o texto ainda hoje, contrariando líderes que defendiam adiar a análise.

Nos bastidores, a resistência ao PL cresceu depois que parlamentares tiveram acesso às diferenças entre as versões. A avaliação predominante é de que, apesar de mais extensa, a sexta versão é um rearranjo técnico que não resolve os problemas centrais e mantém riscos concretos de beneficiar o crime organizado, segundo o Ministério da Justiça.





ICL – Notícias

Desemprego mais longo cai 21,7% e é o menor já registrado pelo IBGE

Bruno de Freitas Moura – Repórter da Agência Brasil O número de pessoas...

PF apura se verba de filme abasteceu Eduardo nos EUA

Por Cleber Lourenço  A Polícia Federal investiga se parte dos recursos negociados entre...

Amazonas Repórter

Tudo

Ministério diz que Enel pode perder concessão se não cumprir metas

Por Agência Brasil O Ministério de Minas e Energia afirmou neste domingo (14)...

TCE-AM regulamenta procedimentos para relacionamento com agentes públicos e privados

Visando proporcionar mais integridade e transparência, o Tribunal de Contas do Amazonas (TCE-AM) publicou, na segunda-feira (26), uma portaria estipulando as regras para o...

Líder da Coreia do Norte diz que continuará apoiando a Rússia, afirma mídia

O líder norte-coreano Kim Jong-un reuniu-se com o principal conselheiro de segurança da Rússia, Sergei Shoigu, nesta sexta-feira (21). Ele disse que a...