Flotilha para Gaza: 12 integrantes continuam internados


Por Luís Indriunas – Brasil de Fato

Fratura do osso nasal, de dentes, de costela, traumatismo crânio-encefálico, contusão pulmonar, lesão hepática, sobrecarga renal. Esses são alguns dos diagnósticos listados pelo médico Cássio Pelegrini, integrante da Flotilha Sumud Global, que foi interceptada por Israel a caminho de Gaza em 18 de maio, culminando no sequestro de 428 pessoas. Ele mesmo está com uma costela quebrada.

No total, 67 pessoas passaram pelo hospital em Istambul, na Turquia, após a liberação dos sequestrados, cerca de três dias depois. Segundo Pelegrini, doze delas continuam internadas.

“Eu sofri espancamento em três situações diferentes, assim que cheguei no navio-prisão. Estou com minha costela fraturada. Ariadne [Telles, integrante da flotilha] está com uma fratura de rádio [osso do antebraço]”, disse o médico, que participou do evento “Pela Palestina, não vamos parar”, na quarta-feira (27), em São Paulo, quando foram ouvidos depoimentos dos integrantes da flotilha.

“Essa coleção de violações dos direitos humanos mostra que Israel está testando todos os limites. E, se a gente não abrir isso, vai se expandir para outros cidadãos. É uma tática do sionismo dessensibilizar e tornar situações abomináveis como regra”, observou Pelegrini, lembrando de violações semelhantes do imperialismo estadunidense, como o caso do sequestro do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro.

Em seu depoimento, Beatriz Moreira, do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), destacou que a prisão ampliou a conexão com o povo palestino.

“Um momento muito importante que me aterrou na situação, depois de tanta violência, tanta humilhação, foi ler na parede das masmorras inscrições em árabe. Eu não sou uma pessoa que fala árabe, mas tínhamos muitas companheiras ali que podiam traduzir. E o que a gente pôde ler foram mensagens de mãe para filhas, de filhas para mães, mensagens de Alcorão, de resistência. Naquele momento, a gente pode entender que aquelas manchas de sangue palestino nas paredes significavam para a gente a tradução do porque estávamos ali”.

Para Moreira, as ações da flotilha são importantes, porque fazem parte do movimento da solidariedade internacional e que precisa de mobilização.

“Nosso movimento [MAB] tem a tradição histórica de construir a solidariedade internacional entre os povos. Enquanto estávamos navegando para Gaza, também tinha uma flotilha navegando para Cuba. O fato de a gente ter ido é só parte de uma construção muito maior. A gente volta para casa com uma tarefa muito importante. A tarefa histórica de mobilizar nossas bases. Já deu o tempo de a gente contar com mobilização espontânea. Cada um e cada uma que está aqui nesse momento tem uma tarefa: a mobilização tem que deixar de ser espontânea. A gente tem que se mobilizar. Não existe outra alternativa senão a solidariedade internacional e internacionalização dos povos”.

Leandro Lanprete, integrante da flotilha que foi interceptada em abril, apontou o descaso do governo brasileiro com os ativistas. “Foi uma luta para conseguir usar o telefone em Istambul para dizer aos nossos familiares que estamos bem. O governo brasileiro faz tuíte [post no X] criticando o genocídio, mas é 12º parceiro comercial desse Estado genocida”.

“É importante que se saiba que a falha do governo brasileiro não é uma falha desse momento em relação a essa flotilha, não é uma falha em relação aos últimos três anos, mas é uma falha histórica e uma vergonha que esse país carrega. O Estado brasileiro foi aquele responsável por presidir a seção da ONU [Organização das Nações Unidas] que aprovou, que legitimou a fundação do Estado de Israel”, lembrou a ativista Mandi Coelho.





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