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O governo do presidente Lula (PT) prepara uma ampla campanha em defesa do Pix, sistema de pagamentos instantâneos criado pelo Banco Central e que tem sido alvo de ataques do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. As informações são da jornalista Mônica Bergamo, da Folha de S.Paulo.
A reação é tanto política quanto simbólica: a gestão Lula vê no ataque ao Pix uma tentativa dos EUA de desestabilizar uma inovação brasileira que vem incomodando interesses comerciais norte-americanos — em especial os das operadoras de cartão de crédito.
Além das tarifas, o governo dos EUA abriu uma investigação comercial citando diretamente o Pix como um dos fatores de preocupação. O Planalto considera o movimento uma ofensiva contra a soberania digital brasileira, e aposta na forte adesão popular ao sistema — com 160 milhões de usuários cadastrados — para construir uma narrativa de resistência.
A campanha, com o slogan “O Pix é do Brasil”, será veiculada em rádios, TVs e redes sociais, e tenta conectar a defesa do sistema de pagamentos com valores de soberania nacional. A frase já foi usada pelo próprio presidente Lula em suas redes sociais e será o eixo central da comunicação.
Gratuidade e eficiência do Pix explicam desconforto dos EUA
Para o governo, a gratuidade e eficiência do Pix explicam parte do desconforto americano.
Em entrevista à rádio Itatiaia, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou que o verdadeiro interesse dos EUA “é dinheiro”, sugerindo que a popularização do Pix ameaça os lucros das empresas de cartão de crédito. A percepção dentro do governo é que a insatisfação de Trump se intensificará com a chegada de novas funcionalidades ao sistema, como pagamentos por aproximação e parcelamentos.
O Pix une o Brasil
Internamente, auxiliares de Lula avaliam que o Pix, ao contrário de figuras políticas polarizadoras como Jair Bolsonaro, não divide o país. Pelo contrário, sua ampla adoção em todas as faixas de renda — 62% dos brasileiros usam o sistema com frequência, segundo dados do Google — facilitaria a mobilização em torno da sua defesa.
Há ainda uma leitura política do embate. Para membros do governo, Bolsonaro estaria sendo instrumentalizado por Trump como uma peça retórica para justificar medidas protecionistas que, na prática, visam proteger interesses comerciais dos Estados Unidos — e não necessariamente punir o Brasil por questões políticas.
Com essa campanha, o governo pretende transformar o Pix em símbolo de inovação, soberania e unidade nacional — contrapondo-o à pressão externa e ao discurso protecionista de Trump.
Fonte: ICL Notícias




