Influenciadora é condenada pela morte de personal trainer em Manaus e caso reacende debate sobre impunidade no trânsito

A condenação da influenciadora digital Rosa Iberê Tavares Dantas pela morte do personal trainer Talis Roque da Silva trouxe novamente à tona um problema antigo e cada vez mais alarmante em Manaus: a sensação de impunidade em crimes de trânsito envolvendo pessoas influentes.

A sentença, proferida pela 10ª Vara Criminal do Tribunal de Justiça do Amazonas, condenou a influenciadora a três anos de prisão por homicídio culposo na direção de veículo automotor — quando não há intenção de matar. O acidente aconteceu em agosto de 2023, no conjunto Vieiralves, zona Centro-Sul da capital amazonense.

Segundo as investigações, Rosa Iberê dirigia um veículo Volkswagen Taos quando realizou uma manobra irregular e acabou interceptando a motocicleta pilotada pelo personal trainer Talis Roque, de 31 anos. O impacto foi violento, e a vítima morreu após o acidente. Laudos periciais, imagens de câmeras de segurança e depoimentos foram considerados fundamentais para a condenação.

O caso ganhou enorme repercussão no Amazonas não apenas pela tragédia, mas também pelos desdobramentos judiciais envolvendo a influenciadora. Em 2025, a Justiça chegou a decretar sua prisão preventiva após ela deixar o Brasil rumo à Europa, descumprindo medidas cautelares impostas pelo Judiciário. Na época, autoridades informaram que ela estava fora do país sem previsão de retorno.

A condenação, embora vista como um avanço pela família da vítima, ainda levanta questionamentos sobre a efetividade das punições em crimes de trânsito no Brasil. Isso porque, na prática, penas inferiores a quatro anos podem ser convertidas em medidas alternativas, o que reforça a percepção popular de que pessoas com influência financeira ou digital dificilmente cumprem pena em regime fechado.

Familiares e amigos de Talis Roque afirmam que o processo foi marcado por demora e sofrimento emocional. O personal trainer era conhecido em Manaus e ajudava financeiramente os pais, que também ingressaram com ação indenizatória contra a influenciadora.

O caso também escancara outro fenômeno contemporâneo: o crescimento da cultura da ostentação e da irresponsabilidade nas redes sociais. Nos últimos anos, influenciadores digitais passaram a exercer enorme poder de influência sobre comportamentos, muitas vezes promovendo estilos de vida associados à imprudência, luxo excessivo e sensação de superioridade social.

Especialistas em segurança no trânsito alertam que Manaus enfrenta uma escalada preocupante de acidentes fatais, agravada pela falta de fiscalização efetiva e pela sensação de que leis não atingem todos da mesma forma.

Enquanto a condenação representa um mínimo de resposta judicial para a família de Talis Roque, o sentimento de indignação ainda permanece entre grande parte da população amazonense, que cobra punições mais rigorosas para crimes que tiram vidas no trânsito da capital.

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