A decisão da Justiça que absolveu o ex-vice-governador do Amazonas e ex-secretários de Saúde acusados em um processo relacionado a supostas fraudes em contratos da área da saúde reacendeu um debate inevitável no estado: afinal, quem responde pelo caos histórico da saúde pública amazonense?
A absolvição, divulgada nesta terça-feira (6), encerra mais um capítulo judicial envolvendo denúncias que marcaram os bastidores da administração estadual nos últimos anos. No entanto, mesmo diante da decisão judicial, permanece o sentimento de impunidade para uma população que enfrentou hospitais lotados, falta de medicamentos, filas intermináveis e o colapso do sistema de saúde durante momentos críticos da pandemia.
O governo Wilson Lima carrega, desde o primeiro mandato, uma série de desgastes ligados à gestão da saúde pública. O próprio governador chegou a virar réu no Superior Tribunal de Justiça (STJ) por suspeitas envolvendo a compra de respiradores durante a pandemia da Covid-19.
Embora aliados do governo tentem tratar a absolvição dos ex-gestores como uma “vitória política”, especialistas e setores da sociedade civil apontam que a decisão judicial não elimina os problemas estruturais nem apaga a responsabilidade administrativa de governos que permitiram o sucateamento do sistema estadual de saúde.
A crise sanitária vivida pelo Amazonas durante a pandemia ainda permanece viva na memória dos amazonenses. Manaus foi um dos epicentros nacionais da Covid-19, registrando colapso hospitalar e falta de oxigênio em unidades de saúde, cenário que ganhou repercussão internacional.
Para críticos da atual gestão, o maior problema não é apenas jurídico, mas político e administrativo. Enquanto investigações terminam sem condenações definitivas, a população continua convivendo com hospitais superlotados, demora em atendimentos e precariedade no interior do estado.
A absolvição também reforça um padrão recorrente na política brasileira: processos envolvendo figuras públicas acabam se arrastando por anos e, muitas vezes, terminam sem punições concretas, aumentando a sensação de descrença da população nas instituições.
Nos bastidores políticos, a avaliação é de que o desgaste da gestão Wilson Lima continua forte, principalmente nas áreas de saúde, segurança e infraestrutura. Mesmo reeleito, o governador ainda enfrenta críticas constantes sobre promessas não cumpridas e sobre a condução administrativa durante os momentos mais graves da crise sanitária no Amazonas.
Enquanto isso, o povo amazonense segue aguardando algo mais importante que disputas judiciais: melhorias reais no atendimento público de saúde e respostas concretas para os problemas que continuam afetando milhares de famílias diariamente.



