MP que propõe fim da ‘taxa das blusinhas’ reacende disputa entre varejo nacional e internacional


A abertura do caminho para o fim da chamada “taxa das blusinhas” pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) reacendeu nova frente de disputa entre o varejo nacional e empresas e plataformas de comércio internacional.

A Medida Provisória 1357, anunciada na terça-feira (12) pelo governo federal, propõe a modificação do Decreto-Lei 1.804, de 3 de setembro de 1980, que rege a tributação simplificada das remessas postais internacionais. O artigo 1º redefine dois pontos. Primeiro, fixa o teto de US$ 3.000 por bens contidos em remessa. Segundo, e mais relevante, autoriza o Ministro da Fazenda a alterar por ato administrativo as alíquotas aplicáveis, podendo reduzi-las a zero na faixa de até US$ 50 e a 30% na faixa de até US$ 3.000.

A proposta, no entanto, não modifica a cobrança do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) pelos estados, fixada em 20%, o que reduz parcialmente o impacto do fim do imposto de importação.

A MPV do governo ainda precisará ser analisada pelo Congresso Nacional, onde deve enfrentar forte resistência de ambos os lados do debate.

Histórico da taxação

A chamada “taxa das blusinhas” havia sido instituída em agosto de 2024 como resposta do governo e do Congresso ao crescimento das compras internacionais pela internet. O objetivo era reduzir a diferença de tributação entre produtos importados e nacionais, após pressão de setores da indústria e do varejo.

Ao longo do período, a taxação tornou-se alvo de críticas de consumidores, que apontavam aumento de preços em produtos de baixo valor e perda de competitividade de plataformas internacionais.

Argumentos do varejo nacional

Representantes da indústria e do comércio defendem que a taxação buscava corrigir uma “concorrência desleal”. Em manifesto assinado por 53 entidades, entre elas a Confederação Nacional da Indústria (CNI), a Confederação Nacional do Comércio (CNC) e o Instituto para Desenvolvimento do Varejo (IDV), o setor afirma que plataformas estrangeiras operariam com carga tributária significativamente menor do que a indústria brasileira.

O documento também sustenta que a taxação teria contribuído para a retomada de crescimento em setores como vestuário, calçados, eletroeletrônicos e móveis, além de impulsionar a geração de empregos. Segundo dados citados pelo grupo, o comércio teria criado 860 mil vagas diretas desde 2023, enquanto a indústria somaria 578 mil no mesmo período.

Outro ponto destacado é o aumento de investimentos e da arrecadação. O setor afirma que a medida teria levado a uma arrecadação de R$ 5 bilhões em 2025, além de reforçar a competitividade da produção nacional.

Para os defensores da taxação, o fortalecimento do varejo interno também ampliaria a oferta de produtos com maior controle de qualidade e conformidade regulatória.

Argumentos dos importadores

Do outro lado, empresas de tecnologia e comércio eletrônico, reunidas na Associação Brasileira de Mobilidade e Tecnologia (Amobitec), afirmam que a “taxa das blusinhas” teve impacto negativo sobre o consumo, especialmente entre as classes de menor renda.

Estudo citado pela associação indica que os preços de produtos do varejo nacional teriam subido em categorias como cosméticos, vestuário e calçados após a implementação da taxa, sem efeito direto sobre a geração de empregos ou aumento de salários no setor protegido.

O levantamento também aponta queda média de 19,4% na demanda por importados de baixo valor e sugere que os principais impactos recaíram sobre consumidores das classes C, D e E, que concentram a maior parte do público do comércio eletrônico internacional.

Para esse grupo, a medida teria reduzido o acesso a produtos mais baratos e pressionado o poder de compra, com efeitos indiretos sobre a inflação percebida.

Um embate ainda em aberto

A discussão sobre a “taxa das blusinhas” expõe um conflito estrutural entre proteção da indústria nacional e ampliação do acesso a produtos importados de baixo custo. Enquanto o varejo defende a taxação como instrumento de equilíbrio competitivo e geração de empregos, importadores argumentam que a medida restringe consumo e amplia desigualdades.

A decisão do governo de propor a revogação do imposto federal não encerra o debate. Como a medida provisória ainda precisa ser aprovada pelo Congresso, o tema deve retornar à pauta legislativa, mantendo em disputa dois projetos distintos de política econômica e tributária para o comércio digital no Brasil.





ICL – Notícias

Venezuela: Idosa e criança são salvas após 3 dias soterradas

Do Brasil de Fato As equipes de resgate na Venezuela correm contra o...

Aqui na terra tão jogando futebol

Mais uma vez, nesta Copa, os olhos do planeta se voltam para...

Amazonas Repórter

Tudo

MPAM firma TAC para combater precariedade e regularizar abatedouros de aves em Manaus

Ação busca a regularização do serviço junto aos órgãos de fiscalização sanitária e em respeito à legislação sanitária, consumerista e ambiental vigente O Ministério Público...

Julia Zanatta envia R$ 396 mil em emenda pix para obra em praça com nome do avô

A deputada federal Júlia Zanatta, que tem uma das suas emendas Pix...