Nas redes sociais, repercussão de foto com Trump é desfavorável para Flávio Bolsonaro


A fotografia de Flávio Bolsonaro com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, conseguiu, ao menos por 12h, desviar nas redes sociais o debate do caso Master, que tem causado grande desgaste para o presidenciável do PL. A repercussão, no entanto, ainda é contaminada pela divulgação do áudio com Daniel Vorcaro, que impacta diretamente a percepção dos usuários. Com isso, 30% dos comentários analisados dizem que Flávio teria conseguido só uma foto rápida, sem reunião substantiva, sem tapete vermelho, sem aperto de mão, sem vídeo e com Trump sentado, comparando a cena ao retrato de fã, turista, Papai Noel, Disney ou museu de cera.

A constatação é do analista de redes Pedro Barciela, que detectou 348 mil citações sobre o tema, até a manhã desta quarta-feira (27).

Outros 22% ainda questionam a autenticidade da imagem, citam supostas semelhanças com fotos de Trump com Cristiano Ronaldo ou outras pessoas, repetem que a pose, o sorriso e as mãos de Trump seriam idênticos em diferentes registros e pedem confirmação oficial da Casa Branca. Na esteira dessa abordagem, surgem críticas também por uma suposta subserviência aos EUA e risco à soberania brasileira (18%). Aqui, parte dos comentários interpreta a visita como “lambe-botas”, “capacho” ou “entreguismo”, associando o pedido a Trump sobre facções a uma tentativa de envolver os EUA em assuntos internos do Brasil, com menções a intervenção estrangeira, ameaça à soberania e entrega do país.

No mais, 17% dos comentários afirmam que se organizações criminosas forem tratadas como terrorismo, como Flávio pediu a Trump, milícias, PL, aliados do Rio, família Bolsonaro, Banco Master e Vorcaro também deveriam entrar na conta. Por isso, ironizam que Flávio estaria “pedindo para prender a si mesmo” ou seus próprios aliados.

Por fim, a gafe ao citar “convite do presidente Lula” é central em 13% dos comentários, com abordagem irônica sobre o senador “não tirar Lula da cabeça”.

De maneira geral, a leitura é amplamente desfavorável ao senador do PL. Os comentários positivos aparecem em menor volume, concentrados em frases como “Flávio Bolsonaro presidente”, “chora esquerda”, “a esquerda pira” e defesas de que o encontro teria valor político.

Já a maioria associa o episódio a humilhação, foto sem relevância, suspeita de IA/montagem, subserviência aos EUA, mentiras sobre a reunião e vínculos com milícia, Banco Master ou Vorcaro.

A composição da conversação sobre o clã reflete o impacto dos eventos: 36% das interações estão em atores bolsonaristas, 44% em atores de imprensa e apenas 19% em atores antibolsonaristas. Os não-polarizados somam menos de 1%.





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