Petróleo sobe mais de 5% com escalada da guerra no Irã


Por Helena Schuster 

(Folhapress) – O petróleo teve a maior alta semanal em dois meses na semana encerrada nesta sexta-feira (10), em meio a uma nova escalada da guerra no Irã. A alta segue quatro semanas de perdas, revertendo as quedas de preços registradas logo após o breve cessar-fogo firmado entre Estados Unidos e Irã. Em determinado momento da trégua, a commodity chegou a ficar abaixo do patamar de preços anterior ao início da guerra no Irã.

Nessa semana, o barril Brent, referência global, subiu 5,39%, valorização mais alta desde a semana do dia 10 de maio, quando subiu 7,87%. Na sessão desta sexta, o Brent fechou com leve queda, de 0,38%, cotado a US$ 76,01.

O WTI (West Texas Intermediate), usado nos Estados Unidos, seguiu a mesma tendência de queda diária e alta semanal. Houve queda no dia de 0,93%, para US$ 71,41, e alta de 3,93% na semana. A alta semanal também é a maior desde a semana do dia 10 de maio, quando o WTI subiu mais de 10%.

As forças armadas iranianas lançaram ataques na quinta-feira (9) contra infraestruturas militares dos EUA nos países do golfo Pérsico, após ataques dos EUA às províncias do litoral sul e do leste do Irã.
Separadamente, a mídia iraniana noticiou várias explosões em todo o sul do Irã. A área incluía Bushehr, onde está localizada uma das usinas nucleares do país.

A segunda queda diária seguida da commodity, no entanto, reagiu à promessa de retomada das negociações entre os EUA e o Irã na próxima semana, enquanto operadores aguardam ansiosamente a reabertura do estreito de Hormuz.

A ausência de novos ataques dos EUA ao Irã também pode ter influenciado os preços do petróleo, embora um recuo nos fluxos em Hormuz esteja limitando a queda, disse o analista do UBS, Giovanni Staunovo. Navios-tanque de gás natural liquefeito passaram pelo estreito nos últimos dias, segundo dados de rastreamento de navios, mas o tráfego diário geral diminuiu.

“Este mercado está pronto, disposto e apto a reagir positivamente a boas notícias ou, pelo menos, à ausência de más notícias”, disse John Kilduff, sócio da Again Capital. “E parece que a escalada não vai piorar.”

A AIE (Agência Internacional de Energia) afirmou nesta sexta que a escalada do conflito compromete a expectativa de um superávit significativo no mercado de petróleo no próximo ano.

A agência projeta que em 2027 a oferta superará a demanda de 4,62 milhões de barris por dia, desde que os produtores consigam retomar o trabalho nos campos e as refinarias possam retomar os embarques normais de produtos.

A AIE diz que um acordo de paz duradouro é “indispensável” para que os mercados de petróleo se normalizem.





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