Produtora de “Dark Horse” teve contrato de R$ 5 mi no DF


Por Cleber Lourenço

A presidente do Instituto Conhecer Brasil (ICB), Karina Ferreira da Gama — apontada como produtora do filme “Dark Horse” — aparece como representante da entidade que firmou um contrato de R$ 5 milhões com o Governo do Distrito Federal para execução do programa Steam Maker em escolas públicas da capital. O instituto foi alvo de uma operação policial deflagrada nesta segunda-feira (01).

O contrato foi firmado durante a gestão do governador Ibaneis Rocha (MDB), aliado político da família Bolsonaro e que chegou a ser afastado do cargo por decisão do Supremo Tribunal Federal após os atos golpistas de 8 de janeiro de 2023.

Documentos da Fundação de Apoio à Pesquisa do Distrito Federal (FAPDF) mostram que o Instituto Conhecer Brasil participou do Termo de Colaboração nº 02/2023, ligado ao Programa Desafio DF, para implantação de laboratórios maker e ações de educação tecnológica em 16 escolas da rede pública.

O projeto previa capacitação de professores, uso de impressoras 3D, kits de eletrônica, plataformas digitais, ferramentas de monitoramento pedagógico e laboratórios móveis chamados de “Smart Labs”. O plano de trabalho também menciona uso de ferramentas como Google Analytics, Tableau, Google Forms, Zoom, Microsoft Teams e sistemas digitais de monitoramento.

O contrato original foi firmado em dezembro de 2023 com valor superior a R$ 4 milhões. Em janeiro de 2025, a parceria recebeu novo aditivo de R$ 1 milhão, elevando o total para R$ 5 milhões.

Dados disponíveis no próprio portal da FAPDF indicam que, até dezembro de 2024, R$ 4 milhões já haviam sido liberados ao projeto, enquanto a prestação de contas seguia classificada como “TC em execução”.

O plano de trabalho do projeto afirma que o programa buscava implementar um modelo de “educação criativa e transformação digital” em escolas públicas do DF, utilizando a metodologia STEAM, sigla para ciência, tecnologia, engenharia, artes e matemática.

O material institucional do Instituto Conhecer Brasil afirma que o programa previa:

  • capacitação híbrida de professores;
  • ambiente digital de formação;
  • repositório colaborativo;
  • cessão de equipamentos;
  • notebooks;
  • impressoras 3D;
  • máquinas de corte a laser;
  • kits de eletrônica;
  • materiais consumíveis;
  • ferramentas manuais e elétricas.

Os documentos também indicam que a entidade deveria realizar monitoramento contínuo do projeto, incluindo pesquisas de satisfação, avaliações trimestrais, acompanhamento pedagógico e relatórios periódicos enviados à FAPDF.

A reportagem procurou o Governo do Distrito Federal e Secretaria de Educação para questionar:

  • quais escolas receberam os laboratórios;
  • quais equipamentos foram efetivamente entregues;
  • qual o valor total executado;
  • quais empresas participaram da execução;
  • e quais critérios fundamentaram o aditivo de R$ 1 milhão enquanto a prestação de contas ainda estava em execução.

A reportagem também questionou se existe alguma auditoria, procedimento de controle, investigação ou apuração administrativa relacionada ao programa Steam Maker, ao Instituto Conhecer Brasil ou à execução do contrato.

Até a publicação desta reportagem, o GDF e a Secretaria de Educação não haviam respondido aos questionamentos enviados pela coluna.

O espaço segue aberto para manifestações.





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