O senador e pré-candidato à presidência, Flávio Bolsonaro, citou o Banco Master em seu depoimento diante das autoridades dos EUA. Ele participa nesta terça-feira das audiências para tratar das tarifas que os americanos querem impôr contra os produtos brasileiros. Ele, porém, omitiu qualquer encontro ou relacionamento com Daniel Vorcaro.
O governo Trump avalia aplicar duas tarifas diferentes contra o Brasil – de 25% e de 12,5%. Uma decisão final será anunciada no dia 15 de julho e, ao longo dos últimos meses, o governo Lula tem negociado com interlocutores da Casa Branca.
O filho do ex-presidente está em Washington para tentar desfazer a ideia, em seu eleitorado, de que teria sido sua ofensiva que gerou a iniciativa do governo de Donald Trump de punir o Brasil com tarifas e embargos. A postura do candidato se contrasta com o apelo de seus aliados e de seu próprio irmão, Eduardo Bolsonaro, que inicialmente fizeram gestões na Casa Branca para aplicar barreiras contra o Brasil.
Diante da constatação do erro estratégico e do custo político que isso gerou, a campanha de Flávio Bolsonaro tenta dar uma imagem de que ele poderia “salvar” o Brasil dos problemas comerciais. Sua presença na audiência em Washington, portanto, cumpre apenas um papel eleitoreiro.
Ele teve apenas cinco minutos para falar. Mas a surpresa para quem estava no local foi a decisão de Flávio Bolsonaro de citar o Banco Master, como suposto exemplo de como o atual governo Lula estaria envolvido com o esquema de corrupção.
Nos últimos meses, foram as revelações de seus encontros com Daniel Vorcaro, o financiamento do banqueiro ao filme sobre Jair Bolsonaro e o elo suspeito entre o Banco Master e Ciro Nogueira – que chegou a ser cotado para ser vice de Flávio – que aceleraram o desgaste em sua campanha eleitoral.
Nos argumentos usados por Trump para colocar barreiras contra o Brasil, um dos aspectos citados é a corrupção no país.
A instrumentalização da audiência também chama a atenção de observadores e negociadores que, há anos, participam das audiências no governo dos EUA. Tradicionalmente, esse espaço é aberto sempre que uma administração americana avalia tomar medidas contra um parceiro comercial. Trata-se, simplesmente, de um fórum no qual empresas, entidades e consumidores podem expressar suas opiniões sobre práticas comerciais.
Há cerca de 20 anos, quando o governo dos EUA avaliou tomar medidas contra o Brasil por quebrar patentes de remédios, foram os grupos de pacientes e vítimas do vírus do HIV quem ocuparam esse espaço para pressionar a Casa Branca a não agir contra a política de combate à Aids no Brasil.
Governos, apesar de mandar seus posicionamentos por escrito, raramente fazem parte das audiências, já que contam com canais diplomáticos formais para negociar.
A tentativa de Flávio Bolsonaro de usar o espaço é visto, inclusive por advogados que lidam com o comércio internacional, como um esforço de usar o espaço como palanque.



