Por Cleber Lourenço
A decisão do ministro André Mendonça que autorizou a operação da Polícia Federal contra o perito criminal federal João Cláudio Nabas permanecerá sob sigilo e não será divulgada neste momento.
A informação foi confirmada ao ICL Notícias pelo gabinete do ministro do Supremo Tribunal Federal.
Nabas é suspeito de vazar informações sigilosas da Operação Compliance Zero, investigação que apura o esquema envolvendo o Banco Master e o empresário Daniel Vorcaro. Segundo a nota divulgada pelo STF, o investigado, “na condição de perito criminal federal”, teria repassado “a integrante da imprensa informações sigilosas relacionadas a fatos ocorridos no início das investigações”.
A suspeita da Polícia Federal é que os vazamentos tenham ocorrido ainda durante a primeira fase da Compliance Zero, deflagrada em novembro de 2025. O perito atuava na análise técnica de aparelhos e materiais apreendidos durante a operação.
Entre os conteúdos associados aos vazamentos estão conversas envolvendo Daniel Vorcaro e ministros do STF, além de dados fiscais ligados à esposa do ministro Alexandre de Moraes.
A operação autorizada por André Mendonça cumpriu dois mandados de busca e apreensão e determinou medidas cautelares contra o policial federal, incluindo a suspensão do exercício da função pública. Segundo o STF, as informações teriam sido obtidas “a partir da análise de material apreendido durante uma das fases da Operação Compliance Zero”.
Na nota divulgada pela Corte, o STF também afirmou que as medidas adotadas “não implicam qualquer direcionamento investigativo contra jornalistas ou veículos de imprensa”, acrescentando que permanecem preservadas “a liberdade de atuação jornalística e a garantia constitucional do sigilo da fonte”.
Segundo membros ligados ao caso, a manutenção do sigilo ocorre porque a decisão reúne elementos considerados sensíveis para investigações ainda em andamento. Entre eles, detalhes sobre a forma como investigadores da Polícia Federal conseguiram identificar o suspeito dos vazamentos.
Reservadamente, integrantes ligados à investigação afirmam que a divulgação integral da decisão poderia expor métodos utilizados pela PF durante o rastreamento das informações sigilosas extraídas da Operação Compliance Zero.
O entendimento dentro da investigação é que a abertura completa do material neste momento poderia comprometer diligências ainda em curso e atrapalhar desdobramentos paralelos ligados ao caso Master.
O STF também afirmou na nota que as diligências possuem “natureza específica e instrumental, voltada à preservação da investigação, à prevenção de eventual reiteração delitiva e à colheita de elementos probatórios ainda pendentes”.



