Caso Master: FGC deve antecipar contribuições de cinco anos para recompor caixa


O Fundo Garantidor de Créditos (FGC) prepara um pacote de medidas para recompor seu caixa após o pagamento de garantias aos investidores do Banco Master. O plano envolve a antecipação de até cinco anos de contribuições dos bancos associados e a criação de uma cobrança extraordinária mensal.

A decisão final, no entanto, só será formalizada após o término dos pagamentos de garantias, mas os cálculos internos apontam que a adoção das medidas será inevitável.

O desembolso relacionado ao Master já soma cerca de R$ 47 bilhões, quase 40% da liquidez total do FGC em junho de 2025, que era de R$ 121,1 bilhões. Até o momento, o fundo já pagou aproximadamente R$ 40,6 bilhões aos depositantes, com a liquidação do Will Bank, também pertencente ao grupo Master, somando estimados R$ 6,5 bilhões.

O rombo causado pelo episódio força o fundo a buscar capital adicional para garantir o cumprimento de suas obrigações.

Instrumentos previstos em estatuto

O FGC está autorizado a antecipar de 12 a 60 contribuições mensais — equivalentes a até cinco anos — sempre que seu patrimônio exigir receitas adicionais. No entanto, essa antecipação temporariamente reduz o fluxo de caixa do fundo, tornando necessária a adoção de uma contribuição extraordinária, que, segundo o estatuto, não pode ultrapassar metade da alíquota vigente para aportes ordinários.

Atualmente, os bancos contribuem com 0,012% do patrimônio líquido, percentual que poderá ser elevado em até 50% caso a antecipação não seja suficiente.

Peso maior para os grandes bancos

Todos os 250 bancos associados ao FGC serão chamados a participar do esforço de capitalização. Mas a carga mais pesada recairá sobre os “Big Five”: Bradesco, Itaú, Santander, Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal, que poderão ter de depositar entre R$ 4 bilhões e R$ 6 bilhões cada.

As contribuições devem ser negociadas em parcelas, chamadas “tranches”, para não comprometer a liquidez imediata das instituições.

O papel do FGC

Criado em 1995 após uma crise bancária que levou diversas instituições à falência, o FGC é uma associação civil sem fins lucrativos que protege os brasileiros contra a insolvência de bancos autorizados pelo Banco Central.

O fundo garante até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ em cada banco associado, com limite de R$ 1 milhão a cada quatro anos, no caso de múltiplas quebras.

Entre os instrumentos garantidos estão conta corrente, poupança, CDB, LCI e LCA. O objetivo é, além de proteger depósitos, preservar a estabilidade do sistema financeiro.





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