Mutirão do batom – ICL Notícias


Por Antônio Carlos de Almeida Castro, Kakay*

“A ignorância é que atravanca o progresso.”
Odorico Paraguaçu

Quando se coloca no mesmo balaio a ignorância orgulhosa, a falta de ética, o descompromisso com a  verdade e a estratégia de disseminação de mentiras, o resultado costuma ser o crescimento espantoso da extrema direita. A questão da senhora do batom é uma comprovação de que os bolsonaristas capturaram as redes sociais e usam, como estratégia golpista, a versão falsa da história para se posicionarem no xadrez político do poder e no imaginário popular. A decisão do Ministro Alexandre de determinar que a prisioneira vá para o regime domiciliar é técnica, atende a pressupostos jurídicos e segue a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal. Tal decisão está sendo divulgada como sendo uma vitória bolsonarista e um golpe no processo penal em que o Bolsonaro é réu. Nada mais falso.

Assim como é falso e pueril afirmar e divulgar que o pedido de arquivamento feito pelo Dr. Paulo Gonet do inquérito relativo às vacinas, que investigava Bolsonaro, terá consequência no processo penal sobre a tentativa do golpe que pretendia instaurar a ditadura no Brasil. Tanto o pedido de arquivamento feito pelo Ministério Público quanto a decisão do Ministro Alexandre de Moraes que determinou o arquivamento são técnicos, dizem respeito única e exclusivamente à investigação das vacinas e só demonstram que não existe nenhuma perseguição ao Bolsonaro e à sua trupe.

Quando há indícios e provas, a determinação é abrir o processo. Quando o MP não encontra justa causa para a Ação Penal, não há sequer denúncia formalizada. Essa é uma postura republicana. Os bolsonaristas deturpam, pois não entendem o mundo senão pela ótica da farsa e da manipulação.

A cabeleireira Débora está presa há um longo tempo, desde 17 de março de 2023, por uma prisão preventiva decretada em 9 de março, sem ainda ter sido julgada. Agora, em março de 2025, seu julgamento pela Primeira Turma do Supremo Tribunal foi interrompido por um pedido de vista do Ministro Fux. O Ministro Alexandre analisou um pedido de liberdade, após ouvir o Ministério Público, que opinou pela prisão domiciliar, e em uma decisão muito bem fundamentada determinou a prisão domiciliar.

O relator levou em consideração, para conceder a prisão domiciliar, várias questões relevantes. Afirmou que a ré, “além de mãe de duas crianças menores de 12 anos, é responsável pelos cuidados e contribui para a subsistência dos filhos menores”. E também ponderou sobre a interrupção do julgamento pelo Ministro Fux: “A ré,  consequentemente, não pode ser prejudicada por eventual interrupção do julgamento”. Fez ainda o ministro considerações precisas sobre a confissão da ré Débora da prática de atos antidemocráticos, confessando a presença ilegal no acampamento em frente ao QG, e seu arrependimento.E determinou a prisão domiciliar com uma série de medidas cautelares, quais sejam:

1- tornozeleira eletrônica;
2- proibição de usar redes sociais;
3- proibição de se comunicar com outros golpistas;
4- proibição de qualquer entrevista;
5- proibição de visitas, salvo de advogados constituídos, pais e irmãos.

Na verdade, essa discussão enviesada e a desinformada que se dá nas redes sociais servem para chamar a atenção para a necessidade de se fazer no Brasil o “mutirão do batom”.

Em 2008, o Ministro Gilmar Mendes presidia o Conselho Nacional de Justiça. Ele determinou à época que se fizesse um mutirão nos presídios. O resultado foi avassalador. Foram “encontrados” presos sem processo, alguns que já tinham cumprido pena há tempos e deveriam estar livres e tantas outras atrocidades que chocaram a consciência jurídica e humanista. Esses bolsonaristas que hoje choram pelos cantos com as prisões dos golpistas recrudesceram na habitual ignorância e desumanidade, fortalecendo o discurso que “bandido bom é bandido morto” e que tudo aquilo era “mimimi dos defensores dos direitos humanos”.

Importante ressaltar que, em 9 de janeiro deste ano, o Ministro Gilmar Mendes determinou que o CNJ realize mutirões carcerários exatamente para averiguar as condições das mães que estão presas e que têm crianças menores de 12 anos. O objetivo é cumprir decisões já pacificadas do Supremo Tribunal. O Ministro foi claro: “o objetivo da medida proposta é a revisão das prisões, a apuração das circunstâncias de encarceramento e a promoção de ações de cidadania e de iniciativas para ressocialização dessas mulheres”. É muito interessante acompanhar o desespero agora, especialmente do fascista Bolsonaro, que sabe que, em questão de poucos meses, ainda este ano, estará condenado a, pelo menos, 28 anos de cadeia.

Como repito sempre, lembrando e parafraseando Trasíbulo Ferraz: “a vida dá, nega e tira.”

*Advogado



Fonte: ICL Notícias

Morre segunda vítima de explosão na zona oeste de São Paulo

(UOL/FOLHAPRESS) – Morreu nesta quinta-feira (14) o homem que estava internado em...

PF liga grupo de Daniel Vorcaro a jogo do bicho, milícia e policiais

    Por Cleber Lourenço   A decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal,...

Amazonas Repórter

Tudo

Projeto Guardiões da Amazônia leva pautas globais de sustentabilidade para dentro das escolas públicas de Manaus

Projeto vai atingir 9 mil estudantes até o mês de novembro e terá uma manhã de imersão no CBA. Enquanto o mundo volta os olhos...

Astrônomos descobrem um planeta único que pode orbitar três estrelas ao mesmo tempo

Já imaginou um planeta orbitando não apenas uma, mas três estrelas simultaneamente? Parece cena de ficção científica, mas essa é uma possibilidade real que...