Peixes-bois se tornam símbolo de conservação no Bosque da Ciência



Os filhotes de peixes-bois são alimentados com um composto desenvolvido por alunos do Inpa (Luiz André Nascimento/Cenarium)

29 de março de 2025

Letícia Misna – Da Cenarium

MANAUS (AM) – No próximo dia 1° de abril, o Bosque da Ciência, que integra o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), completa 30 anos desde sua inauguração. Ao longo de três décadas, a visitação aos peixes-bois (Trichechus inunguis) se tornou uma das principais marcas do espaço, que já recebeu pelo menos 2 milhões de pessoas.

“A maioria dos visitantes vem para ver o peixe-boi. Fica muita gente ali, próximo ao vidro dos tanques. Esses visitantes fazem muitas perguntas e se mostram muito interessados neles”, comentou Antony Rodrigues Filho, médico veterinário do Departamento de Biologia Aquática do Inpa, responsável pelos peixes-bois do Bosque da Ciência há 11 anos.

Antony também faz parte da Associação dos Amigos do Peixe-boi (Ampa), criada em 2000 e que funciona em parceria com o Inpa. O projeto luta pela proteção e conservação dos mamíferos aquáticos da Amazônia. Apesar de carregar o “peixe-boi” em seu nome, a Ampa também atende botos, ariranhas e lontras.

Peixe-boi em tanque no Bosque da Ciência (Ricardo Oliveira/Cenarium)
Resgate e soltura

Trabalhando com a espécie desde 1974, o Inpa criou as primeiras instalações para reabilitação de peixes-bois da Amazônia dois anos depois, em 1976, no Laboratório de Mamíferos Aquáticos (LMA). Desde então, o setor é focado em localizar animais da espécie feridos ou vulneráveis no habitat natural (devido, principalmente, à ação de caçadores ilegais), tratá-los e devolvê-los ao meio ambiente.

“Quando chegam, eles são submetidos a exames clínicos e físicos, e, se identificada qualquer anormalidade, é tratada. Essa é a fase de reabilitação, tanto nutricional quanto de alguma doença. Os animais são acompanhados aqui dentro até o dia da soltura”, disse o veterinário.

Resgate de peixe-boi (23.mar.25 – Ricardo Oliveira/Cenarium)

Para que esse retorno ocorra de forma segura, Antony explicou que, além de estar saudável, o animal precisa apresentar instintos ofensivos, uma vez que ter uma personalidade mais mansa pode dificultar sua sobrevivência em meio à vida selvagem.

Ao longo desses anos, foram mais de 40 animais da espécie reintroduzidos à natureza. Atualmente, 68 estão sob os cuidados do Inpa. “É gratificante quando nós acompanhamos um animal desde filhotinho. Chegam animais muitas vezes recém-nascidos aqui e nós conseguimos reintroduzi-los à natureza. A gente se sente com o dever cumprido”, relatou o médico.

Jardineiro da Amazônia

Antony explica, ainda, que o principal objetivo do LMA e da Ampa é a preservação da espécie. Considerado o “jardineiro da Amazônia”, uma das principais funções do peixe-boi é espalhar, dentro do ecossistema da região, sementes de frutas que eles consomem.  

“O peixe-boi é uma espécie que tem grande importância dentro da ecologia. Ele é um animal que funciona como difusor de sementes, ele controla a vegetação nos rios, e é um indicador de locais propícios para pesca. Onde tem o peixe-boi, tem alimento”, comentou.

Peixe-boi resgatado e tratado no Bosque da Ciência (23.mar.25 – Ricardo Oliveira/Cenarium)
30 anos divulgando ciência

Antony destacou que o Bosque é um importante propagador de dados científicos, uma vez que sua metodologia sai do metódico e vai para um lado mais criativo e instigante. “Têm painéis, têm guias que ajudam, que sanam as dúvidas da população, da sociedade, com relação não só ao peixe-boi, mas a outros animais que estão aqui. Têm ainda brincadeiras, programas de educação ambiental. O Bosque leva a ciência à comunidade de forma divertida e fácil de entender”, disse.

Para os 30 anos do Bosque da Ciência, o Inpa preparou uma programação para que a sociedade, principal motivo de sua existência, possa comemorar junto. Entre os dias 2 e 6 de abril, o espaço oferecerá mais de 50 atividades abertas ao público, como exposições, oficinas, palestras, visitas guiadas, jogos e mais.

“Nós convidamos a sociedade amazonense em geral, para quem não conhece e quem já conhece também, prestigiar esse evento. Vai ser um evento muito bom, foi muito bem planejado, com muito carinho e dedicação pelas pessoas envolvidas. Venham ver o peixe-boi. Venham conhecer um pouco mais desse marco aqui da cidade de Manaus”, convidou Antony Rodrigues Filho.

O Bosque da Ciência está localizado na Avenida Bem-Te-Vi, bairro Petrópolis, Zona Sul de Manaus. As visitas regulares podem ser feitas de terça-feira a domingo, das 9h às 16h30. O acesso é gratuito, mas deve ser pré-agendado pelo site https://bosquedacienciaam.wixsite.com/agendamento.

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Fonte: Agência Cenarium

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