A edição 36 da Revista Liberta já está no ar. E ela chega às vésperas da Copa do Mundo no momento em que a Seleção Brasileira talvez enfrente sua maior crise de identidade desde 1950.
A chegada de Carlo Ancelotti ao comando da Seleção, vendida pela CBF como símbolo de reconstrução, rapidamente virou outra coisa: um retrato do colapso institucional que tomou conta do futebol brasileiro nos últimos anos.
A reportagem de capa, “Se vira, Ancelotti!”, assinada por Milton Leite e Lúcio de Castro, reconstrói os bastidores do espetáculo montado pela CBF para apresentar o treinador italiano e mostra como o evento expôs muito mais do que cafonice ou improviso. O texto investiga a sucessão de escândalos, disputas políticas, interesses empresariais e relações promíscuas que transformaram a entidade num símbolo do desmanche do futebol nacional.
Enquanto a França chega à Copa apoiada em décadas de investimento público, formação de atletas e planejamento esportivo, o Brasil desembarca no torneio depois de trocar técnicos em sequência, conviver com denúncias de corrupção e transformar a Seleção numa extensão da lógica de espetáculo que domina a cartolagem brasileira.
A edição também mergulha na convocação de Neymar e no que ela revela sobre o país. No ensaio “Geni e o Zepelim é alegoria de ‘Neymar e o Italiano’”, Luís Costa Pinto usa Chico Buarque para interpretar o ambiente de adoração, blindagem e degradação simbólica que passou a cercar o ex-jogador e a própria Seleção Brasileira.
Ao longo da edição, a sensação é a de que o futebol brasileiro deixou de antecipar o país para passar simplesmente a reproduzi-lo. A degradação institucional que aparece na CBF atravessa também a política, os negócios, a violência social e a extrema direita retratadas nas demais reportagens da revista.
A Revista Liberta também publica novas reportagens sobre os bastidores do caso “Dark Horse”, o financiamento político-cultural ligado ao Banco Master e as conexões entre empresários, bolsonarismo e contratos públicos. Em outro destaque da edição, Nina Lemos analisa por que o caso Saul Klein se tornou um retrato brutal da impunidade das elites econômicas brasileiras diante de crimes cometidos contra meninas pobres e vulneráveis.
A edição ainda reúne textos sobre Gaza, migrações forçadas, violência institucional, extrema direita e os rearranjos políticos e culturais que atravessam o Brasil e o mundo em 2026.
Participam desta edição nomes como Jamil Chade, Leonardo Boff, Nina Lemos, Luís Costa Pinto, Lúcio de Castro e Reserva Exclusiva.
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